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Escapou à II Guerra Mundial, mas morreu em Braga vítima de Covid-19

Hannelore foi uma das mais de 5 mil crianças que Portugal recebeu vinda da Áustria durante a Segunda Grande Guerra. Sobreviveu à guerra com apenas 5 anos, mas acabou por sucumbir, aos 73, vítima de um 'inimigo invisível', chamado novo coronavírus, no Hospital de Braga.


A história de vida de uma das vítimas da Covid-19 em Portugal está a dar a volta ao mundo. Trata-se de HanneloreFischer Cruz que sobreviveu à Segunda Guerra Mundial, quando tinha apenas 5 anos, e acabou por morrer em Braga, aos 76, vítima de um ‘inimigo invisível’ chamado novo coronavírus, que já matou mais de 235 mil pessoas no planeta.


Apesar de a idosa ter sido das primeiras a perder a batalha contra a Covid-19 em Portugal, no passado dia 25 de março, é agora que a sua história é contada pela Associated Press (AP) e reproduzida por vários países.
De acordo com o artigo originalHannelore nasceu a 29 de outubro de 1943, numa Viena de Áustriacompletamente destruída, quando a Segunda Grande Guerra já levava quatro anos de avanço.
Nunca conheceu o pai, morto em combate, e a mãe achou que o melhor para a filha era inscrevê-la num programa de resgate de crianças da Cáritas (que resgatou mais de 5 mil crianças) que a levaria a Portugal e a fugir da guerra, da fome e do frio.
Hannelore foi assim depositada num carro de palha, com um grupo de outras crianças tão pequenas como ela, com destino à estação de comboios mais próxima. Consigo levava apenas uma mala com algumas peças de roupa e um cartão com o nome e um número. Depois da viagem de comboio, seguiu-se uma de barco. A jornada terá demorado cerca de uma semana.
Até que, Hannelore chegou a Ponte de Lima e aos braços de uma família de acolhimento que, apesar de nunca a ter adotado legalmente, sempre a tratou como filha.
Com o passar da vida, casou-se com um médico, teve quatro filhos e cinco netos, foi viver para Braga. Voltou à Áustria só de visita, poucas vezes e com apenas algumas palavras de alemão na memória.
Pelo caminho, descobriu que tinha uma veia de artista, talvez até genética, de uma família de músicos e pintores austríacos. Estudou no conservatório, foi professora de Educação Musical, de Canto e de Técnica Vocal de centenas de alunos e uma soprano admirável. Os seus compositores preferidos eram Mozart e Bach.
Um vídeo publicado no Youtube mostra Hannelore a cantar ‘Panis Angelicus’, de Cesar Franck, num concerto de Páscoa de 2010.


Além do coro, Hannelore alegrou, segundo um dos seus netos, muitos casamentos. “Tinha uma voz angelical. Era extraordinária. Ofereceu a sua magia a casamentos e à Igreja”, revelou José Miguel Cruz da Costa, que viveu com a avó até aos 18 anos, em entrevista à AP.
E é com este neto que ficamos a saber que Hannelore tinha mais do que talento para a música. Era “extravagante e vaidosa”, “extremamente bonita”, sempre a virar cabeças nas ruas de Braga, com uma “ousadia” impensável para as mulheres da época. “Tinha um cuidado especial em comprar certas roupas, não para mostrar às outras pessoas, mas para se sentir bem com ela própria […]. Tinha um gosto diferente da sociedade portuguesa. Tinha uma maneira de pensar, de se apresentar, vestir e ser que ia além da nossa cultura”, explicou José à AP.
Entretanto, aos 52 anos ficou viúva e passou a ser o único ganha-pão da família. Reinventou-se (mais uma vez) e começou a gerir as propriedades da família. Embora quase nunca falasse da infância, José contou ainda que a avó costumava utilizar o seu próprio exemplo para mostrar que é possível ultrapassar qualquer obstáculo.
“Era muito boa a transmitir essa mensagem. Dizia: ‘Vim para cá fugida da guerra, vim para uma família que não conhecia, não sabia falar a língua, não era desta terra, enfrentei muitos obstáculos e mesmo assim, sobrevivi’”, recordou.
Já em 2016, Hellanore decidiu mudar-se para um lar de idosos de Braga. O neto visitava-a quase todos os dias e, apesar de insistir para a avó voltar a casa, esta estava feliz com a decisão tomada.
Até que, o novo coronavírus chegou a Portugal. Hellanore ainda chegou a comprar máscara e gel desinfetante, mas poucos dias depois ficou doente. Infetada com o novo coronavírus, desenvolveu febres altas e tosse forte e foi internada no Hospital de Braga, onde acabou por morrer apenas quatro dias depois.

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